Ando cansado de minha estupidez
Pois me sinto fadado à nudez de alma
Travestida em discurso otimista proletário
Discursado em vocabulário burguês lírico
Recheado de insensatez quando empírico
E clamando calma
Mesmo se é o ódio aclamado
Sendo este por mim julgado, de quando em vez
E pego-me em questionamento raso
Pois não sei se é o mundo mais contraditório
Ou se eu sou a contradição do acaso
Que busca no aglomerado de repertório
E insatisfação
A construção do que não fora planejado
E, por não ter planejamento neste atual estado
Parece isento de estar errado
À luz de uma engajada socialização
Pois, por si só, faz-se abastado
Num posicionamento cercado
Pela falta de cercas e de segregação
Ah! Que bonito seria...
Mas também ando cansado do belo
Pois me basta viver dia após dia
Para notar que o bonito desfila singelo
Numa infeliz expressão de sorriso amarelo
E forçada apatia
É triste pensar o que pode ser pior
Quando o pior parece já estar sendo
E reclamo a tristeza que já sei de cor
Vendido à ilusão de que não me vendo
E aos pouco vai meu suor
Se rendendo
Ao sangue espesso derramado
Pelo sedento desalmado poder maior.
(Arthur Valente)
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Reforma
Estendo meu credo intangível
Ao passo que me fixo em solo palpável
Pois mostra-se notável o invisível
Na medida mesma que o concreto, questionável
O irrisório camufla-se de impossível
Pelo ponto cego de quem julga ser onisciente
E o utópico grita ser concebível
Pela voz inaudível dos velhos, mas notórios dissidentes
E travam-se os dentes às ações escusas
E mescla-se o ódio ao desejo de amar
Sendo a liberdade a rainha das musas
Compete aos seus amantes a fúria do mar
Mas quando não sendo tempestade
Acalmo-me pela busca do que não está
Temperando pra dar gosto de verdade
Ao que ainda se dá por cru
Sem a impetulância do que é imposto
Vou, por fim, parafrasear
Pois sim, vi chover e vi relampear
Mas manteve-se intocável a suportar
Num protesto simbólico de corpo nu
Exposto em véu latente o mais belo céu azul.
(Arthur Valente)
Ao passo que me fixo em solo palpável
Pois mostra-se notável o invisível
Na medida mesma que o concreto, questionável
O irrisório camufla-se de impossível
Pelo ponto cego de quem julga ser onisciente
E o utópico grita ser concebível
Pela voz inaudível dos velhos, mas notórios dissidentes
E travam-se os dentes às ações escusas
E mescla-se o ódio ao desejo de amar
Sendo a liberdade a rainha das musas
Compete aos seus amantes a fúria do mar
Mas quando não sendo tempestade
Acalmo-me pela busca do que não está
Temperando pra dar gosto de verdade
Ao que ainda se dá por cru
Sem a impetulância do que é imposto
Vou, por fim, parafrasear
Pois sim, vi chover e vi relampear
Mas manteve-se intocável a suportar
Num protesto simbólico de corpo nu
Exposto em véu latente o mais belo céu azul.
(Arthur Valente)
sábado, 3 de agosto de 2013
Ao Libertário Negro
Um pobre, negro-mulato
Sem aparato, nem cobre
Um rubro-negro guerreiro em fato
Ogun incarnado em louvor
Ao amor livre e sensato
Refletindo a justiça no ato
Tal qual um retrato de Xangô
Herói da plebe oprimida
Utópico só por ter sido
Morreu sem ter morrido
Pois seu nome ecoa engrandecido
Por todo o atento ouvido
Que alarde ao ver saída
No canto renascido
Da liberdade antes perdida
Professor em oratória
Da história, tens tutela
Não daquela morta escória
Que colou-te em fria cela
Nem da outra de monstro porte
Que celou, por fim, tua morte
Mas daquela rica em glória
De cautela e de trabalho
Pelo teu amado povo
Ao qual fostes bravo escudo
E até quando em frangalhos
Nem assim ficastes mudo
Por tua densa vida bela
De batalha e sacrifício
De mudança como ofício
Marighella, te saúdo.
(Arthur Valente)
Sem aparato, nem cobre
Um rubro-negro guerreiro em fato
Ogun incarnado em louvor
Ao amor livre e sensato
Refletindo a justiça no ato
Tal qual um retrato de Xangô
Herói da plebe oprimida
Utópico só por ter sido
Morreu sem ter morrido
Pois seu nome ecoa engrandecido
Por todo o atento ouvido
Que alarde ao ver saída
No canto renascido
Da liberdade antes perdida
Professor em oratória
Da história, tens tutela
Não daquela morta escória
Que colou-te em fria cela
Nem da outra de monstro porte
Que celou, por fim, tua morte
Mas daquela rica em glória
De cautela e de trabalho
Pelo teu amado povo
Ao qual fostes bravo escudo
E até quando em frangalhos
Nem assim ficastes mudo
Por tua densa vida bela
De batalha e sacrifício
De mudança como ofício
Marighella, te saúdo.
(Arthur Valente)
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Autopia
Aos amigos do parque. Aos parceiros da vida... Aos agentes da mudança.
A Natureza há de ascender
Mas não pra posse, pois já reina livre
Há de reivindicar-se como mãe maior do ser
Como a fonte vital que ao crescer, nutre
E não há quem não se cative a ver
Que só por ela realmente se vive
Pensam alguns que ela se ausentara
Mas presente está, sem estar
Se não nota, para e repara
E se discorda, por que respirar?
Somos a prole ingrata
Da única rainha que merece trono
Somos o progresso da perda de sono
A raspar felicidades entre vácuos e latas
Mas, como fomos destruidores de nós mesmos!
Pois nós, em conjunto, somos trindade verdadeira
Os pais, os filhos e a espiritualidade
Partes integrantes de um mesmo seio
Natureza dispersa e inteira
Onde agora bebe a vaidade
Que amanhã embriague-se a palmeira
E que sobre o mal da humanidade
Nasça um pé de seringueira.
(Arthur Valente)
A Natureza há de ascender
Mas não pra posse, pois já reina livre
Há de reivindicar-se como mãe maior do ser
Como a fonte vital que ao crescer, nutre
E não há quem não se cative a ver
Que só por ela realmente se vive
Pensam alguns que ela se ausentara
Mas presente está, sem estar
Se não nota, para e repara
E se discorda, por que respirar?
Somos a prole ingrata
Da única rainha que merece trono
Somos o progresso da perda de sono
A raspar felicidades entre vácuos e latas
Mas, como fomos destruidores de nós mesmos!
Pois nós, em conjunto, somos trindade verdadeira
Os pais, os filhos e a espiritualidade
Partes integrantes de um mesmo seio
Natureza dispersa e inteira
Onde agora bebe a vaidade
Que amanhã embriague-se a palmeira
E que sobre o mal da humanidade
Nasça um pé de seringueira.
(Arthur Valente)
sábado, 13 de julho de 2013
Querido Juízo Diário
Ja fui calmo, eufórico e tempestuoso
Já fui salmo, filosófico e religioso
Já fui cético, patético e presunçoso
Já fui criança, adolescente e idoso
Já fui caminho, atalho e perdido
Já fui cascalho e pedra preciosa
Já fui babaca de atitudes honrosas
Já fui honrado, desgarrado e descabido
Já fui poeta, alienado e artista
Já fui modéstia e arrogância puras
Já fui doença sem remédio ou cura
E já fui doçura a esnobar a violência
Já fui vigarista, honesto e enganado
Apartidário, oposição e governista
Já fui lesado por nobres oportunistas
E calculistas com outros renegados
Já fui anarquista, comunista, utopia
Não fui nazista, porque isso não sei ser
Já fui blindado pela sede de vencer
E vulnerável por faltar-me valentia
Já fui passagem, estadia, volta e ida
Já fui azar, inércia, vontade e sorte
Já fui saída às peripécias da morte
E a entrada pro melhor que há na vida
Aos que questionam o que sou por completo
Sou concreto e abstrato em alquimia
Como posso ser, na vida, algo certo
Se incerto fui, e todo o resto, em um só dia?
(Arthur Valente)
Já fui salmo, filosófico e religioso
Já fui cético, patético e presunçoso
Já fui criança, adolescente e idoso
Já fui caminho, atalho e perdido
Já fui cascalho e pedra preciosa
Já fui babaca de atitudes honrosas
Já fui honrado, desgarrado e descabido
Já fui poeta, alienado e artista
Já fui modéstia e arrogância puras
Já fui doença sem remédio ou cura
E já fui doçura a esnobar a violência
Já fui vigarista, honesto e enganado
Apartidário, oposição e governista
Já fui lesado por nobres oportunistas
E calculistas com outros renegados
Já fui anarquista, comunista, utopia
Não fui nazista, porque isso não sei ser
Já fui blindado pela sede de vencer
E vulnerável por faltar-me valentia
Já fui passagem, estadia, volta e ida
Já fui azar, inércia, vontade e sorte
Já fui saída às peripécias da morte
E a entrada pro melhor que há na vida
Aos que questionam o que sou por completo
Sou concreto e abstrato em alquimia
Como posso ser, na vida, algo certo
Se incerto fui, e todo o resto, em um só dia?
(Arthur Valente)
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Desabafo Analítico do Indigesto
A beleza da vida, hei de lembrar
Está contida na imperfeição contínua
Na alteração repentina que busca alcançar
A plenitude a que tudo se inclina
Sem nunca se planificar.
Pois pra cada cena, ato, momento
Sopra o vento de uma forma única
E não há de existir véu ou túnica
Que protejam o velho rabugento
Já passado
A se tornar só um contento ultrapassado
Amaldiçoado em ser deixado
Quase como fosse calúnia
Reprimido em seu repertório lento
Pobre, intolerante e transtornado
Sopra o vento de uma forma única
E não há de existir véu ou túnica
Que protejam o velho rabugento
Já passado
A se tornar só um contento ultrapassado
Amaldiçoado em ser deixado
Quase como fosse calúnia
Reprimido em seu repertório lento
Pobre, intolerante e transtornado
O caos, por essência
É o parto da mudança
A dor ansiosa da paciência
Que convulsiona-se sem cadência
Pra atrair a sonhada bonança
É o parto da mudança
A dor ansiosa da paciência
Que convulsiona-se sem cadência
Pra atrair a sonhada bonança
É a válvula de ação da descrença
Pro que já não mais avança
Ou um pedido de desistência
Ou um gesto de resistência
Ao mestre-sala que dança
Não mais por liderança
Mas por orgulho torpe e teimosa persistência.
Pro que já não mais avança
Ou um pedido de desistência
Ou um gesto de resistência
Ao mestre-sala que dança
Não mais por liderança
Mas por orgulho torpe e teimosa persistência.
Pois não hei de esquecer também
Que o perigo da constante inconstância
É sujar-se em intolerância
Com sua sucessora que logo vem
Que o perigo da constante inconstância
É sujar-se em intolerância
Com sua sucessora que logo vem
E que não mais por temperança
Nos destemperemos a crer na violência
Dos que sentenciam nossa potência
Paixão, eloquência
E convicção na crença do novo em ascenção
À fala tímida e mansa.
Nos destemperemos a crer na violência
Dos que sentenciam nossa potência
Paixão, eloquência
E convicção na crença do novo em ascenção
À fala tímida e mansa.
Que não nos calemos quando o novo gritar
E bradar que agora é sua vez de agir
Pois nasce este pelo o que nos fizeram engolir
E vive para que aprendamos finalmente
A mastigar.
E bradar que agora é sua vez de agir
Pois nasce este pelo o que nos fizeram engolir
E vive para que aprendamos finalmente
A mastigar.
(Arthur Valente)
quarta-feira, 5 de junho de 2013
And I'm feeling good
Cigarro, cachaçada
Ressaca de blues
Um sarro, um sorriso de farsa
Cuspidos e escarrados
Em pus
Um céu negro como Nina
Um velho tempo que se inclina
Ao novo boa praça
Resplandecendo luz
É um novo dia, mas o dom é o mesmo
E se tentaram me deixar a esmo
Enganaram-se em jus
Porque já não mais calado
Alcanço o dia rebuscado
Sem medo de ser ofuscado
E pondo-me guiado
Ao calor solar que
Em meu corpo cansado
Se alastra e se conduz
Deixe que renasça
Deixa, que passa
Passado, presente
Futuro proeminente
Que nasce da semente
Que eu, indigente
Solenemente, só de pirraça
Pus.
(Arthur Valente)
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