O mundo é macro, dizem
Quando se olha de cima
Mas parece pouco perto do universo sacro
Guardado sob as retinas dos meninos
E das meninas.
E dizem que o mundo é micro
Aos olhos nus mortais
Mas parece ser muito mais
Quando visto pelos olhares oblíquos
Das ressacas de paz.
Só quem capta Capitú
De fato, ao Ubuntu
Se adapta.
E dizem que o mundo é são
Dentro do possível
Como se fosse plausível
De alguma tangível referência
Ver nos conjuntos complexos
E profundos
Qualquer padrão de consciência.
São é quem mora na casinha da ilusão
Pra não gritar sermão pelas pracinhas
Nem gracinhas, ou groselhas, de Lobão.
E dizem que o mundo é piada
Que tem graça por ser nada
Perto do Todo
Mas o Todo é só um nome
Não sente frio, nem sente fome
Nem sê vê boiando em lodo
Sei, pois, que é o mundo
O melhor, mesmo imundo
Que se achara em mil sóis
E que o pior que há nele
Não vem desse, nem daquele
Mas do pior que há em nós.
(Arthur Valente)
domingo, 8 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
Céu de diamantes
Lembro como se fosse agora
Pois teus ensinamentos guardo em mim
Como se guarda a própria vida
E dizia-me assim, a minha querida
Pra ter paciência de crer que o fim
É só um ciclo terminado que, sem demora,
Há de se ver reiniciado num outro
Menos ruim
Até que o melhor venha de vez
Não por ser, mas porque nos tornamos
Apesar de nossa ânsia, através do anos
Maiores em nossa pequenês
Desconstrutores de nossas intolerâncias
E sabotadores de nossa arrogância
Infantil e torpe de pequeno-burguês
Chega a hora, creio eu
Sem receio mais de ter esperança
De colhermos a bonança
Que estes tempos de tempestade
Apesar do cansaço e do alarde
Em meio a cruel cidade
Fortaleceu
Minha rainha retorna ao trono
Depois de tanto lembrar como é ser da plebe
Volta também, um pouco mais, meu sono
Ao conceber que, de novo,
Das cinzas elas se ergue.
Seja bem-vinda Luz do latim
Que venha me iluminar como sempre fez
E prometo a ti, assim como a mim,
Que se juntos caminharmos mais uma vez
Os ciclos serão fracos, tal como as tempestades
E não haverão mais grades
Contra a nossa alegre e louca
Lucidez.
(Arthur Valente)
Pois teus ensinamentos guardo em mim
Como se guarda a própria vida
E dizia-me assim, a minha querida
Pra ter paciência de crer que o fim
É só um ciclo terminado que, sem demora,
Há de se ver reiniciado num outro
Menos ruim
Até que o melhor venha de vez
Não por ser, mas porque nos tornamos
Apesar de nossa ânsia, através do anos
Maiores em nossa pequenês
Desconstrutores de nossas intolerâncias
E sabotadores de nossa arrogância
Infantil e torpe de pequeno-burguês
Chega a hora, creio eu
Sem receio mais de ter esperança
De colhermos a bonança
Que estes tempos de tempestade
Apesar do cansaço e do alarde
Em meio a cruel cidade
Fortaleceu
Minha rainha retorna ao trono
Depois de tanto lembrar como é ser da plebe
Volta também, um pouco mais, meu sono
Ao conceber que, de novo,
Das cinzas elas se ergue.
Seja bem-vinda Luz do latim
Que venha me iluminar como sempre fez
E prometo a ti, assim como a mim,
Que se juntos caminharmos mais uma vez
Os ciclos serão fracos, tal como as tempestades
E não haverão mais grades
Contra a nossa alegre e louca
Lucidez.
(Arthur Valente)
Dos Cantos Mitológicos
Dos impérios passados
Maiores que os titãs, em pleno alarde
E mais escuras que o reino de Hades
Erguem-se as muralhas de fúria
Pois são, num negro aglomerado,
Os povos unidos e irados
Contra os reis auto-intitulados
Prestes a morrerem afogados
Em suas próprias injúrias
E é Eros que lhes inspira a união
E vêm gritando, loucos, os coros de Marte
Propagando, roucos, por toda a parte
Palavras de ordem e caos pra que a tirania
Caia morta no chão
E espalha-se, a revolta, por toda a terra
Com mais bravura que os antigos heróis
Mais brilhante que mil sóis
É a alvorada da nova era
E hão de cair os comandantes
Os falsos profetas maledicentes
Com suas verdades confusas
E serão não mais que pedra
Como se olhassem nos olhos de serpente
Da própria medusa
E num avante, toda a gente
Vai tomar os postos seus
Num negro bloco de dimensão gigante
Mais forte e temido que qualquer deus
E cai o representante do deus hebreu
Delirante em sua própria má fé
E se ouve dos confins da massa ralé
Que chegara o tempo de Prometeu.
(Arthur Valente)
Maiores que os titãs, em pleno alarde
E mais escuras que o reino de Hades
Erguem-se as muralhas de fúria
Pois são, num negro aglomerado,
Os povos unidos e irados
Contra os reis auto-intitulados
Prestes a morrerem afogados
Em suas próprias injúrias
E é Eros que lhes inspira a união
E vêm gritando, loucos, os coros de Marte
Propagando, roucos, por toda a parte
Palavras de ordem e caos pra que a tirania
Caia morta no chão
E espalha-se, a revolta, por toda a terra
Com mais bravura que os antigos heróis
Mais brilhante que mil sóis
É a alvorada da nova era
E hão de cair os comandantes
Os falsos profetas maledicentes
Com suas verdades confusas
E serão não mais que pedra
Como se olhassem nos olhos de serpente
Da própria medusa
E num avante, toda a gente
Vai tomar os postos seus
Num negro bloco de dimensão gigante
Mais forte e temido que qualquer deus
E cai o representante do deus hebreu
Delirante em sua própria má fé
E se ouve dos confins da massa ralé
Que chegara o tempo de Prometeu.
(Arthur Valente)
domingo, 17 de novembro de 2013
Arte em Conjunto - Frito e Cru
Cores fortes em fundo roxo
Visão mesclada e tonta em tons
Corpo leve e ombros frouxos
Dança a imagem como quase som
Mata virgem, experiente
Sintonia de ambiente
Que me rende ao ter vertigem
Pois desnorteia de tão bonita
E religa, pois transcende
E como grita a paz ao silenciar
A mente pouco antes barulhenta
Pela fisionomia violenta
Que a cidade tanto faz a vir
Por ela se manifestar
E como grita o mundo por arte
Se a arte o é, sem tirar nem por?
Muda-se a linguagem para expor
Como se cortássemos o sabor em partes
A la carte
Pra quem tem fome, e todos têm,
De beleza e de amor
Oremos só à mãe maior
Que ela se segure em pé
Contra a má fé de nossa torpe intervenção
Pois não fosse o que ela é,
Sendo em todo, em si, o melhor
Nós não seríamos, não
Nem eles algum dia serão
(Bárbara Lopes e Arthur Valente)
Recomendado: www.flickr.com/babilonia (Bárbara Lopes)
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Mudança de Script
Fecham-se as cortinas, intervalo
Saem todos, menos um
Muda a cena, zum-zum-zum
Vaza o velho pelo ralo
Entra o novo num segundo
Muda o mundo, fica a vista
Olha tudo como autista
Passa o ser a ser fecundo
Planta a praia, o vento, o sol
Colhe calma, amor e fé
Flui o íntimo como a maré
E pesca a paz sem ter anzol
Capoeira joga em dança
Luta, aprende e cai na areia
Pulsa o mar vermelho em veias
E cantarola a vida mansa
Desce do palco, vai pra rua
Usa e abusa a pele nua
Acha graça no ranzinza
Vai do cinza ao prata-lua
E renasce o protagonista
Ganha brilho e vivência
Vai e conquista experiência
Pra fazer da selva-de-pedra, pista
De malandro em essência
De poeta na potência
E com cadência de sambista.
Saravá!
Viva a vida!
Viva o maior do teatros que permite
A todos serem artistas
Pois só nela a história resiste
Sem precisar de roteirista.
(Arthur Valente)
Saem todos, menos um
Muda a cena, zum-zum-zum
Vaza o velho pelo ralo
Entra o novo num segundo
Muda o mundo, fica a vista
Olha tudo como autista
Passa o ser a ser fecundo
Planta a praia, o vento, o sol
Colhe calma, amor e fé
Flui o íntimo como a maré
E pesca a paz sem ter anzol
Capoeira joga em dança
Luta, aprende e cai na areia
Pulsa o mar vermelho em veias
E cantarola a vida mansa
Desce do palco, vai pra rua
Usa e abusa a pele nua
Acha graça no ranzinza
Vai do cinza ao prata-lua
E renasce o protagonista
Ganha brilho e vivência
Vai e conquista experiência
Pra fazer da selva-de-pedra, pista
De malandro em essência
De poeta na potência
E com cadência de sambista.
Saravá!
Viva a vida!
Viva o maior do teatros que permite
A todos serem artistas
Pois só nela a história resiste
Sem precisar de roteirista.
(Arthur Valente)
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Arte em Conjunto - Magreza de Alma
Canseira da vida que morre
Depressão anda em alta
Magreza sofrida na alma
Sentido de calma corre em falta
Falta amor pra nutrir o ser
Falta o elixir que socorre a dor
Falta cor pra que me ponha a crer
Que não serei absorvida pelo mundo exterior
Ou, ao inverso,
Por meu profundo universo interior.
Verso em desenho
E me empenho, pois só peço
Que meu sofrer morra imerso
No fundo de esperança que ainda detenho.
(Ananda Trezena e Arthur Valente)
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Aula de Biologia
Voa, passarinho
Beija a flor e traga o cálice
Pra servir de táxi ao poder criador
Que a mãe natura fornece no ápice
Invariável de todo o seu amor.
Vem semente, cai do alto
Mas vai longe do berço que lhe era, antes, tranquilo
Pois, se ficas perto da tua inicial protetora
Progenitora
Será ela a autora de tua morte precoce
Sem vacilo
Mas acalma-te, pois basta do esquilo
Uma enterrada entre longos saltos
E um desapego da posse
Que tua força encantadora resiste.
E vira agente da vida, sob a úmida terra
E até merda, em ti, virará poética
Para te adubar e te fazer ascender na mais perfeita estética
E continuar o ciclo caótico, mas ordenado em grandeza profética
Que, a não ser pelo bicho violento que porta a serra,
Nunca se encerra.
(Arthur Valente)
Beija a flor e traga o cálice
Pra servir de táxi ao poder criador
Que a mãe natura fornece no ápice
Invariável de todo o seu amor.
Vem semente, cai do alto
Mas vai longe do berço que lhe era, antes, tranquilo
Pois, se ficas perto da tua inicial protetora
Progenitora
Será ela a autora de tua morte precoce
Sem vacilo
Mas acalma-te, pois basta do esquilo
Uma enterrada entre longos saltos
E um desapego da posse
Que tua força encantadora resiste.
E vira agente da vida, sob a úmida terra
E até merda, em ti, virará poética
Para te adubar e te fazer ascender na mais perfeita estética
E continuar o ciclo caótico, mas ordenado em grandeza profética
Que, a não ser pelo bicho violento que porta a serra,
Nunca se encerra.
(Arthur Valente)
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