quinta-feira, 15 de julho de 2010
Tolos
Crença,
uma palavra dita muitas vezes em vão,
palavra que marca presença ,
seja ela real e intensa
ou apenas uma auto-ilusão
Alguns creem em um ser superior
nas igrejas rezam com vontade e louvor
e por seus semelhantes
pedem ao senhor
mas se por um instante,
um deles pede um favor
tratam-no como um ser ingnificante
não é mais um igual,passou a ser inferior
O ser humano inventou a razão
essa que antes era usada para a criação,
já não mais tem essa função,
já criamos tudo que podíamos então?
Que seja,chegou a hora da destruição
Alguns dizem que somos deuses,
outros que somos apenas animais
o que eu penso sobre isso
é que nos tornamos sabidos demais
Só sei que nada sei
já dizia o velho filósofo
se o mesmo tivesse vivido nessa época
provavelmente o chamariam de tolo sem propósito
Em certos momentos meus,
não sei se de loucura ou de lucidez,
imagino,lá do céu, Deus
aos prantos e a todos nós olhando
crentes e ateus,
francês,inglês ou português
e então sabiamente falando
“ eu tenho pena de vocês”
(Arthur Valente)
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Café
Na cozinha, preparo um líquido escuro
Esse que para os antigos barões era motivo de orgulho
Mas que para os que realmente trabalhavam para cultivar o tal
Era motivo de dor,
de um modo de vida que não cabe nem a um animal
Bebo lentamente,
Com prazer e satisfação,
Em meus lábios sinto o suor deles
De minha boca desce o sangue inteiro de uma nação
Antes eles lhes davam,de forma precária, comida e onde morar
Trabalhavam incansavelmente, mal podiam repousar
E se por acaso algo não agradasse àquele que lhes ousava maltratar
Em sua pele iam sentir o velho chicote estralar
Já faz tempo,a escravidão acabou
A ilusão da liberdade foi para eles o que restou
Ilusão sim,pois não se tornaram escravos libertados
Na verdade o termo mais apropriado
Seria,talvez,homens livres escravizados
Escravos de um sistema de princípios desiguais
Enquanto o velho barão descansa em sua poltrona
O tal sistema obriga o escravo pobre a trabalhar mais
E por fim,num ponto de vista meu
Enquanto o rico decide se come ou se dorme
A chibata não morreu
Ela só mudou de nome.
(Arthur Valente)
segunda-feira, 5 de julho de 2010
FreakShow Brasileiro
Ilustríssimos senhores,
É com muito pesar
Que venho lhes comunicar
Que o brasileiro show de horrores
Já vai começar
O trabalhador já cansado,
totalmente decepcionado,
o salário está atrasado,
seu filho anda pelo caminho errado,
sua mulher arrumou um namorado,
sua filha se enrroscou com um homem casado,
e no senado,como de praxe,
roubam seu salário suado.
Mas para o moribundo,
já não importa nada,
vai começar a copa do mundo,
preocupa-se apenas se a cerveja está gelada
se a carne está bem passada,
ou se a seleção está a seu gosto escalada.
E o político pede em sublime oração
para que o nosso Brasil seja o campeão,
afinal,se o time não voltar com a taça na mão
vai que o povo lembra que é ano de eleição.
(Arthur Valente)
A Noite
O Sol já caiu
E no céu sobe a esfera branca de massa,Porém mal posso vê-la,
Tudo que vejo é fumaça
Na escuridão profunda da noite
Lembranças que havia perdido,me acham
E como se minha mente se abrisse por completo
O pensar e o sentir finalmente se encaixam
Enlouqueço em minha sanidade
E de coisas que jamais havia imaginado antes
Sem querer,sinto vontade
Rio,choro,
Escrevo,oro
Peço e agradeço
Tagarelo para o céu, e sem motivo emudeço
Bato os dedos no teclado
E de repente há uma luz a me cobrir
Mais um dia vem chegandoJá é hora de dormir.
(Arthur Valente)
O Abismo
Estou caindo,nada vejo
Estou sentindo,e no céu lampejos
Quero subir,quero respirar
Quero sair,não sinto o ar
Olho para baixo e não vejo chãoEstou sentindo,e no céu lampejos
Quero subir,quero respirar
Quero sair,não sinto o ar
Só vejo um vão,no céu ainda àquele clarão
Nada posso fazer,sou um cadáver sem caixão
Sou um peixe fora d’água,um braço sem mão
Sou uma casa sem telhadoNada posso fazer,sou um cadáver sem caixão
Sou um peixe fora d’água,um braço sem mão
Um terno mal lavado
Um gato escaldado
Sou um crime sem perdãoUm gato escaldado
Um sentimento sem coração
Sou um abismo sem fim,sem chão.
Sou um abismo sem fim,sem chão.
(Arthur Valente)
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