quinta-feira, 3 de maio de 2012
Praia
Sob um céu
totalmente estrelado
Sobre um mar
quase céu iluminado
Entre serras
De tom esverdeado
Entre nuvens
De um branco aveludado
Entre corpos
De homens embriagados
Sobre a areia
Que massageia os pés suados
Com emoção
De quem se julga privilegiado
E é notável
Que o mais engraçado
É que, em meio a tal dimensão
No ambiente louvável
Sinto-me mais civilizado
Por não haver civilização.
(Arthur Valente)
terça-feira, 27 de março de 2012
Anteparos
Vejo-me encarcerado
Não por grades de ferro
Mas como em uma toca de lobos
Sendo animal indefeso
Sinto-me limitado
Não por obstáculo interno
Mas como em círculo de bobos
Tendo pensamento coeso
Pego-me desestabilizado
Não porque me intimam com berros
Mas porque vendo-os sem arrobo
Percebo seus conceitos presos.
Percebo-me deslocado
Deste triste mundo externo
E é,por liberdade, meu afobo
Que mantem meu céu aceso.
(Arthur Valente)
sexta-feira, 23 de março de 2012
Cantiga de boêmio
Vem, meu camarada
Puxa a cadeira
Tem cerveja na geladeira
Podes fazer o que quiseres
Acenda um cigarro,
Fiques à vontade
Se ficares entediado,
Conta-me tuas lamúrias
E vamos beber!
Vamos beber até a dor do mundo
Que nós consome
De gole em gole
Ser ingerida ao fundo
E vamos beber!
Até tudo que nos envolve,
Mesmo o desespero que nunca se dissolve,
Não mais doer.
(Arthur Valente)
segunda-feira, 12 de março de 2012
Enquanto for...
Seja o tempo enquanto for
Seja pressa
Seja inversa
Seja o homem corredor
Seja a fome enquanto for
Seja Pobreza
Seja Avareza
Seja a falta de sabor
Seja Deus enquanto for
Seja arrogância
Seja ganância
Seja o véu do mal-feitor
(Arthur Valente)
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Incoerências
O padre reza
O padre enfeza
A criança indefesa
Que não quer mais rezar
O pastor caça
O caçador ameaça
As ovelhas que de pirraça
Não querem mais se alinhar
O homem morre
Porque de homem gosta
E o pastor aposta
Na palavra do padre falador
Que disse que quem falou
Pra atirar no Homo de costas
Foi o próprio Senhor
(Arthur Valente)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Visão
A verdade diz ser pura
Mas discordam quando dói
A mentira é atadura
Que quando descoberta, corrói
O céu é de bondade
Mas chato e tedioso
Já o inferno, em verdade
É frio e tenebroso
O bem é lindo e nobre
Porém, ingênuo e complicado
Enquanto o mal que é feio e pobre
É mais fácil de ser usado
A beleza da rosa é imponente
Mas morre ao fim do dia
Já o cacto que é resistente
É seco e sem alegria
Quando tudo parece perdido
E a opção tampouco existe
Não se faça abatido
Crie mais, não se limite.
(Arthur Valente)
domingo, 4 de dezembro de 2011
Vagalumes
Na imensidão do horizonte
Eis que vejo sob a bruma
Tão leve quanto pluma
Algo vem de trás do monte
Destaca-se no escuro
Dançando em tom de claro
Sem limite de anteparo
Tão pequeno e seguro
Porém, de repente
Observo com atenção
Parecia reunião
Poderosa e abragente
E um ponto quase nada
Vem tornar-se um clarão
Luminosa multidão
Uma quase alvorada
E o mais interessante
É que o certo perdeu vez
O escuro se desfez
Por rebeldes tão brilhantes.
(Arthur Valente)
Assinar:
Postagens (Atom)

