sábado, 4 de junho de 2011

Sonho


O céu manifesta-se e canta
Estrelas resplandecem dançando
O azul lunar vai se modificando
dando lugar à rubra manta

as flores beiram um sol lilás
nascem do mais alto pico montanhoso
cheiro doce, leve e sedoso
fabricam grandiosos e impalpáveis chás

O branco da terra adormece a pele
como a própria neve daqui faz
vasta,clara,poderosa e sagaz
o feio invisível, triste, se repele

o horizonte não surge sem um porquê
tampouco dá lugar à escuridão
as nuvens, rosas, de larga extensão
são maciças, maleáveis, de papel marchê

crianças brincam, felizes, nuas
a grande Alegria tem forte odor
os seres cativos degustam o Amor
que passa sorrindo por todas as ruas

O mundo não gira e não se mantém parado
a inércia passara bem longe dali
banana, maçã, caju e caqui
exalam um anil de toque aveludado

O mar, por si só, é inerente ao chão
A prata e ouro, opacos e despercebidos
o paraíso de todos permanece unido
onde a própria morte se rende à submissão.


sábado, 28 de maio de 2011

Carne Viva


Sem dor e sem receio
Do prazer que bate à porta
Somos linha mais que torta
Um só,meio a meio

Somos elo em carne viva
Presos por tesão estridente
Entre o suor e a saliva
Entre línguas e dentes

Desfrutamo-nos a vontade
Adrenalina estufando o peito
Transcedemos em deleito
Escapando da realidade

Explodimos a cada toque
Digladiando sutilmente
Procuramos gozo ardente
Querendo o mais intenso choque

O frio não incomoda
Nem tampouco o calor
Não temos padrão ou moda
Desdenhamos o amor

Quando quase finalmente
Externamos forte suspirar
Nos queremos eternamente
Enquanto o momento durar.


domingo, 22 de maio de 2011

Solidariedade Comedida



Sozinho
Seja só ou acompanhado
Afinal,quem estará ao lado
Lá pelo fim do caminho?

Somos tão carentes
Tão incrívelmente sociáveis
Procurando relações estáveis
Para sermos lembrados eternamente

E seremos?
Não,claro que não
Mas divagando tal ação
Intenção nobre,pelo menos

Sejamos,então,ponderados
Temos sim que conviver
Porém,sem esquecer
Que estamos aos nossos cuidados


E se tivermos de arriscar
Por qualquer outro alguém
Lembremos que,heroísmo convém,
Quando há razão para lutar.


(Arthur Valente)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Duas Caras


Procuram respostas em frases feitas
Fazem promessas que não podem cumprir
E fingem se iludir com propositais desfeitas
Porque sabem que iludem quando querem persuadir

Esperam o bem a todo instante
Como se fossem tão bons quanto dizem ser
Escondem seus defeitos repugnantes
Num véu de virtudes que nunca virão a ter

Se demonstram descontentes
E até incoerentes
Quando procuram se defender

Mal sabem tais inconsequentes
Que por trás da máscara benevolente
São tão maus quanto um humano pode ser.

(Arthur Valente)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Desabafo




Por que tantos por quês?
Por que eles precisam tanto saber?
É errado, por um acaso, eu fazer
algo simplesmente por querer?

Dizem que eu tenho que esclarecer
Que tenho que me fazer entender
Mas não quero ter que dar um parecer
Sempre que alguém decidir me compreender

Que me deixem, em paz, viver
Minhas escolhas sou eu quem deve fazer
E se eu errar,pelo menos hei de aprender
Pois no fim, não quero me arrepender

O prazer pelo prazer
O tesão pelo tesão
Disposição para vencer
Liberdade em primeira mão

Procurando sempre aprender
Expandir a visão
Unindo o ser com o ter
E fazendo valer minha opinião.

(Arthur Valente)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Meus pêsames


O homem precisa comer
E não se importa de matar
Contanto que seja para saciar
Sua fome de poder

O homem precisa vencer
Não importa o que vai enfrentar
Muito menos o que o leva à lutar
Contanto que depois, possa se envaidecer

O homem precisa saber
Fazer a boca dos outros calar
Quer, com conhecimento, mostrar
Aos reles mortais que é um divino ser

Talvez, só falte ao homem perceber
Que um dia tudo, para ele, vai acabar
E quando esse dia, enfim, chegar
Quem sabe note que, sua vida, só o fez perder.

(Arthur Valente)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cores



Primeiro era o vermelho
Os músculos acentuados
Os nus corpos suados
Enganados por espelhos

Chega o branco, então
Vindo de longínqua distância
Traz consigo a ganância
E um projeto de civilização

Por terceiro, o preto
Tirado a força do lar
Trazido arrastado pelo mar
Compôs cultura do alto do gueto


Veio o amarelo,por fim
Com seus olhos puxados e caídos
Sua inteligência sensata,povo unido
que largou tudo,para completar a miscigenação assim.

E quem somos nós afinal?
Qual a cor do homem brasileiro?
Somos um pedaço do mundo inteiro
Um arco-íris sem igual.

(Arthur Valente)