Por que amo? Por quê?
Por que sinto que quero perto?
E deixo que venha a dor ao ser discreto
Pois quero, o que não posso dizer?
Por que clamo por prazer?
Eu sei, somos íntimos,
Mas pra quê?
Se mal me deixa chegar em teu ser
E me intimido, de forma que me apresso
A finalmente te ter.
Sem sucesso e com tentativas inexatas
Perco-me em cantadas baratas
E promovo sugestões insensatas
Na vontade inapta de te ver derreter
E como queria que fosse minha
Não, não! Mentira mesquinha. Perdão
Queria que fôssemos um só no colchão
E que víssemos, juntos, o dia renascer
Sem pressão de ser
Nem de obrigação
Mas só por satisfação
De saber que fomos e somos
Sendo o todo, nós, serão
O verão mais caloroso
Que o amor já viu nascer
Ave, merecer!
Salva-me da mercê,
Pois ponho-me em tua mão
E de teu coração
Nada espero, mas tudo quero
Bater.
(Arthur Valente)
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Ao filósofo boêmio canino
Sinto-me como um velho sábio
Ancião de memória
Mas sou tão novo de história
E de glórias, diga-se de passagem,
Quanto aos mais novos de minha geração
Aos quais reconheço, mesmo que avesso
Em certa ocasião,
A reflexão de minha própria imagem
Pois sou um pão francês
Em meio ao que estupidamente nomeio
De pães de mês
Mas, ora, que enganação
Pois quando nos passarmos à mão do freguês
Sem coração
As diferenças em nossas essências
Serão apenas objetos de apreensão
Pra decidirem a quem comerão primeiro
E seremos mastigados, deglutidos
Digeridos e em ação descomidos
Pela nossa própria desunião
Sou um chão de bagagem
Mas, pesado em meu próprio peso
Um animal pobre e indefeso
Crendo manter em si preso
O novo de mutada linhagem
Êta, molecagem! Êta, afobamento!
De querer ser homem por ter tantas primaveras
Pré-designadas como amadurecimento
Em quase todas as esferas
Num sistema de ensinada vassalagem
Não exatamente como antigamente era
Talvez mais inteligente seja esta
Subliminarmente mais severa
Mais convincente
Ah... Que pena do mundo!
Que pena de mim, da gente
Que pena que a humanidade
Contenta-se em ser demente
Por crer em diabos fecundos
Travestidos de celibatários cristãos
Enquanto chama de moribundo
Quem tem carência de opção
Às ladradas do cão, meu uivo descamba
Por querer barulho
E faço tal homenagem ao irmão de samba
De renovação e de bagulho
Pra que não nos calemos
Pois, pequenos, ah, não! Não somos
Somos inteiros Axé
Fé e inspiração
Paixão pela luta e pela reconstrução
Somos, meu querido barão da ralé
Um realismo místico
Entre outros ismos artísticos
Somos galliardismo
E bem sabes o que isto é
Em ascensão.
(Arthur Valente)
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
O brilho de Aurora
Bochechas rosadas, olhinhos azuis
Tão clara e esperada como a própria luz
Que com semblante de alvorada se faz calor pleno
Num amor tão sereno que à alma seduz
Pureza grandiosa em corpo ainda pequeno
Que por bocejos amenos nos doa a alegria
De ansiarmos lampejos de vidência e fantasia
Na cadência dengosa de te imaginar crescendo
E são os lábios vermelhos, tão mais que amoras
E os trejeitos tão doces que nos nutrem de vida
E em troca, como pilares, te manteremos erguida
Pois brilhante e querida sempre serás
Tenaz e bem-vinda por todas as horas
Como a própria paz de agora em ascensão
Linda e sublime tal qual explosão
De emoção e de fé
E, claro, de Aurora.
(Arthur Valente)
Tão clara e esperada como a própria luz
Que com semblante de alvorada se faz calor pleno
Num amor tão sereno que à alma seduz
Pureza grandiosa em corpo ainda pequeno
Que por bocejos amenos nos doa a alegria
De ansiarmos lampejos de vidência e fantasia
Na cadência dengosa de te imaginar crescendo
E são os lábios vermelhos, tão mais que amoras
E os trejeitos tão doces que nos nutrem de vida
E em troca, como pilares, te manteremos erguida
Pois brilhante e querida sempre serás
Tenaz e bem-vinda por todas as horas
Como a própria paz de agora em ascensão
Linda e sublime tal qual explosão
De emoção e de fé
E, claro, de Aurora.
(Arthur Valente)
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Memórias de uma milícia atual
Homens-demônio trajados de farda
Fardados de ódio e de falta de dúvida
Armados com fogo, esperando ordens súbitas
De reis despóticos, contra a plebe enganada
Meirinhos do novo século, capitães-do-mato
Seculares por proverem ao povo o choque
Pois sendo brutos no ato e no toque
Contrariam-se à existência num torpe desacato
E quem são estes empregados do engenho?
Do engenhoso poder maior aristocrático
Que com sarcásticos risos, demonstram empenho
Em pisar abotinados no Estado Democrático
Respiraremos quando seguirem nova rota
Contra choque, milícia e falta de senso
E ai, formando-se um exército imenso
Por fim, a opressão institucional bate as botas.
(Arthur Valente)
Reciprocidade
Olhaste a fundo minha janela
E viste, sedenta, minha alma nua
E foi quando olhei de volta à tua
Que marcaste meu íntimo e deixaste sequela
E pedi que me devorasses sem dó, nem dizeres
Que me molestasses o corpo a bom grado
Pois senti-me, em teu dorso, completo banhado
Pelo vinho de Baco, embriagado em prazeres
E queria que me amasses sem medo, nem culpa
Que me deixasses drogado em teu cheiro de vida
E que não mais temesses a dor da partida
Pois mesmo esta, de cedo, já encarnara a desculpa
E se assim foi que, então, assim seja
Sem prisões de toque, nem de ciúme
Que o amor nos evoque e nos empunhe
À luta dengosa que a alma deseja.
(Arthur Valente)
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Das (Des)Esperanças
Ando cansado de minha estupidez
Pois me sinto fadado à nudez de alma
Travestida em discurso otimista proletário
Discursado em vocabulário burguês lírico
Recheado de insensatez quando empírico
E clamando calma
Mesmo se é o ódio aclamado
Sendo este por mim julgado, de quando em vez
E pego-me em questionamento raso
Pois não sei se é o mundo mais contraditório
Ou se eu sou a contradição do acaso
Que busca no aglomerado de repertório
E insatisfação
A construção do que não fora planejado
E, por não ter planejamento neste atual estado
Parece isento de estar errado
À luz de uma engajada socialização
Pois, por si só, faz-se abastado
Num posicionamento cercado
Pela falta de cercas e de segregação
Ah! Que bonito seria...
Mas também ando cansado do belo
Pois me basta viver dia após dia
Para notar que o bonito desfila singelo
Numa infeliz expressão de sorriso amarelo
E forçada apatia
É triste pensar o que pode ser pior
Quando o pior parece já estar sendo
E reclamo a tristeza que já sei de cor
Vendido à ilusão de que não me vendo
E aos pouco vai meu suor
Se rendendo
Ao sangue espesso derramado
Pelo sedento desalmado poder maior.
(Arthur Valente)
Pois me sinto fadado à nudez de alma
Travestida em discurso otimista proletário
Discursado em vocabulário burguês lírico
Recheado de insensatez quando empírico
E clamando calma
Mesmo se é o ódio aclamado
Sendo este por mim julgado, de quando em vez
E pego-me em questionamento raso
Pois não sei se é o mundo mais contraditório
Ou se eu sou a contradição do acaso
Que busca no aglomerado de repertório
E insatisfação
A construção do que não fora planejado
E, por não ter planejamento neste atual estado
Parece isento de estar errado
À luz de uma engajada socialização
Pois, por si só, faz-se abastado
Num posicionamento cercado
Pela falta de cercas e de segregação
Ah! Que bonito seria...
Mas também ando cansado do belo
Pois me basta viver dia após dia
Para notar que o bonito desfila singelo
Numa infeliz expressão de sorriso amarelo
E forçada apatia
É triste pensar o que pode ser pior
Quando o pior parece já estar sendo
E reclamo a tristeza que já sei de cor
Vendido à ilusão de que não me vendo
E aos pouco vai meu suor
Se rendendo
Ao sangue espesso derramado
Pelo sedento desalmado poder maior.
(Arthur Valente)
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Reforma
Estendo meu credo intangível
Ao passo que me fixo em solo palpável
Pois mostra-se notável o invisível
Na medida mesma que o concreto, questionável
O irrisório camufla-se de impossível
Pelo ponto cego de quem julga ser onisciente
E o utópico grita ser concebível
Pela voz inaudível dos velhos, mas notórios dissidentes
E travam-se os dentes às ações escusas
E mescla-se o ódio ao desejo de amar
Sendo a liberdade a rainha das musas
Compete aos seus amantes a fúria do mar
Mas quando não sendo tempestade
Acalmo-me pela busca do que não está
Temperando pra dar gosto de verdade
Ao que ainda se dá por cru
Sem a impetulância do que é imposto
Vou, por fim, parafrasear
Pois sim, vi chover e vi relampear
Mas manteve-se intocável a suportar
Num protesto simbólico de corpo nu
Exposto em véu latente o mais belo céu azul.
(Arthur Valente)
Ao passo que me fixo em solo palpável
Pois mostra-se notável o invisível
Na medida mesma que o concreto, questionável
O irrisório camufla-se de impossível
Pelo ponto cego de quem julga ser onisciente
E o utópico grita ser concebível
Pela voz inaudível dos velhos, mas notórios dissidentes
E travam-se os dentes às ações escusas
E mescla-se o ódio ao desejo de amar
Sendo a liberdade a rainha das musas
Compete aos seus amantes a fúria do mar
Mas quando não sendo tempestade
Acalmo-me pela busca do que não está
Temperando pra dar gosto de verdade
Ao que ainda se dá por cru
Sem a impetulância do que é imposto
Vou, por fim, parafrasear
Pois sim, vi chover e vi relampear
Mas manteve-se intocável a suportar
Num protesto simbólico de corpo nu
Exposto em véu latente o mais belo céu azul.
(Arthur Valente)
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